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A minha vidinha

A minha vidinha

18
Fev17

Também tenho que passar a vir à terrinha uma vez por ano

Maki

Os meus tios estão aqui para fazerem a sua habitual visita de "despedida", ritual que adoram fazer quando a minha avó está hospitalizada de forma a aliviarem a consciência pela sua ausência constante e verem o que é que ainda vão a tempo de levar da casa dela. Apesar da minha avó ter estado hospitalizada a uma hora de distância da casa deles não meteram uma única vez os pés no hospital, a única coisa que faziam era ligar-me durante a única meia-hora em que eu podia estar com ela. Mas agora que está no Alentejo já é produtivo visita-la, após a visita fazem mais uns kms até à casa dela e podem pensar sobre que obras vão fazer caso ela não recupere. Mas ela vai recuperar.

Eu e o meu avô éramos as unicas pessoas que não ignoravamos o óbvio, infelizmente agora sou a única. Nos últimos 3 anos fizeram exactamente 3 visitas desse tipo, andam de um lado para o outro, falam muito baixinho apesar da minha avó ser surda que nem uma porta e dizem sussurrando quando saem do quarto "coitadinha... Não reage..." Claro que não reage! Está com febre, surda e vocês sussurram! Mas as pessoas que trabalham nos hospitais e unidades de cuidados continuados adoram-os. Adoram o teatro de deixarem uma carta na mesinha de cabeceira apesar da minha avó não saber ler, adoram o olhar apagado e os sussurros. É bem melhor que ter alguém a andar atrás deles a perguntar se pode dar água a um doente por estar com a língua extremamente seca, a pedir seringas para dar suplementos, a perguntar que tipo de acompanhamento está a ter. Eu sou uma chata e eles são uns santos, e se for preciso até me transformo em Lúcifer para que não deixem a minha avó a um canto à espera da sua hora.

Mas não é só o teatrinho que me dá náuseas, o meu pai também, sempre que eles vêm cá pega numa esfregona e tenta dar um jeitinho à casa. Sabem quantas vezes é que ele fez isso comigo? Umas 3, depois disso sempre que vim de fim de semana tive que limpar a casa de cima a baixo, e quando volto no fim de semana a seguir já está outra vez suja porque não há qualquer cuidado da parte dele para manter as coisas limpas.

Acima de tudo o que me irrita é que hoje não a vou conseguir ver, não a vou poder acalmar quando começar a chamar pela mãe enquanto dorme nem lhe acenar nos breves momentos em que abre os olhos porque o meu pai acha que não vale a pena ir lá quando do estão lá os outros e não tenho qualquer tipo de transportes até ao hospital porque sou do interior.

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