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A minha vidinha

A minha vidinha

06
Dez19

A primeira pessoa que odiei

Maki

Toda a gente gostava do homem, diziam que ele era um óptimo professor, e que eu tinha sorte de o ter. E eu acreditei nisso até que o voltei a ver neste verão. 

Desde o quarto ano que não o via, o que perfaz 14 anos. O homem sorriu-me e acenou, e nesse momento tive um clique e percebi que odiava o homem, ele foi a primeira pessoa que odiei e não tinha noção disso porque enquanto criança não sabia o que era a definição de ódio. Mas odiava-o. E ainda hoje o odeio. 

Foi meu professor do primeiro ao quarto ano. Era cristão, e demonstrava-o expondo uma cruz na qual jazia um homem magrissimo representando Jesus Cristo por cima do quadro. Era bastante gráfica e ainda hoje me lembro perfeitamente dela. Note-se que apesar da escola que frequentei ter sido edificada no tempo de Salazar, quando andei lá era uma escola pública e estávamos no início do milénio. 

Mas não é pela cruz e os pesadelos associados à mesma que o odiava sem saber. Haviam tantas coisas erradas... 

O homem segregava-nos, os mais "inteligentes" (inteligente não é bem a palavra... Que com 6 anos podemos ser o que quisermos com o estímulo necessário...) e/ou filhos de pessoas mais influentes ficavam no lado direito da sala. Os mais pobres, "burros", irrequietos e ciganos ficavam no lado esquerdo. Era o quadro e a cruz pendurada sobre ele que nos separava. 

Eu e a minha melhor amiga do tempo da pre-primaria ficámos em lados opostos. 

O homem escolhia 4 capitães de equipa no início do ano e obrigava-nos a formar equipas. Ao longo do ano se ganhassemos algum concurso de tabuadas ou assim ganhávamos um ponto. Se alguém da equipa se portasse mal perdiamos um ponto. Era muito bonito quando ganhávamos, mas quando perdíamos o ambiente ficava estranho. 

O senhor nunca bateu num único aluno. Isso é verdade. Obrigava os outros a fazerem esse trabalho por ele. Quando alguém se portava mal ele escolhia uma das pessoas que se sentavam no lado direito da sala para dar um "cachaçao" em quem interferia com a aula, geralmente o professor escolhia os moços porque eles tinham mais força. Uma vez fui eu, a bicha mais quieta da sala, a que evitava meter-se em confusões e só queria deixar de trocar os Ps com os Qs, os Ds com os Bs e com os Vs. Lembro-me perfeitamente de fazer o caminho entre a minha mesa e a do gajo mal comportado, com histórico de violência e que já fumava bem antes dos 9, do medo que sentia enquanto ele sorria ao me ver aproximar. De antes de dar o cachaçao olhar para o professor e o cabrao estar com um sorriso estúpido na cara. Foi nesse momento que comecei a odiar o homem. 

Entretanto esse ódio, que eu não sabia ser ódio veio a crescer. 

Não dei um cachaçao com força, primeiro porque não a tinha, segundo, porque não sentia que merecia a pena levar uma sova do tipo quando chegasse lá fora. E voltei para o meu lugar. 

No dia seguinte o tipo a quem dei uma "festinha" no cachaço, começou a gozar comigo. A dizer que o professor lhe tinha dito que eu gostava dele e que tinha sido por isso que não tinha dado com força. Posteriormente o professor também fez um comentário em relação a isso numa aula. Odiava-o. Odiava-o com toda a minha pequena alminha e não sabia. 

Entretanto, como há almas gémeas,  também passei a odiar a sua mulher. Que apareceu toda sorridente no funeral da minha avó com uma coroa de flores por finalmente ter mais uma cama livre no lar. Uns atormentam e segregam os mais novos, outros desidratam e segregam os mais idosos. 

Não há ódio como o primeiro. 

02
Dez19

A associação é pequenina mas o impacto é enorme

Maki

Chama-se Associação Mais Proximidade, Melhor Vida - AMPMV (sigla que nunca consigo decorar e tive que verificar). 

Acompanham cerca de 200 idosos residentes na zona da Baixa e Mouraria: fazem visitas; solucionam problemas; acompanham ou arranjam alguém que acompanhe as pessoas (caso estas queiram) ao médico; fazem a ponte entre os idosos e outras instituições que os podem ajudar em diversos assuntos; fazem telefonemas para garantir que está tudo bem; sobem e descem imensas escadas devido à falta de elevadores; gerem equipas de voluntários e são menos de 10 pessoas.

No ano passado acompanhei uma delas durante uma manhã e cheguei à hora de almoço estafada. Elas não param, tem sempre algo para fazer, alguém que visitar. Fiquei fascinada com a força que elas têm.

Mas acima de tudo, o que mais aprecio e infelizmente não vi em muitas associações/instituições em que a minha avó esteve, é que elas respeitam e não tentam tentam mudar o comportamento das pessoas, apenas as aconselham. 

Sou lá voluntária há coisa de 2 ou 3 anos, e não podia ter escolhido um sítio melhor para o fazer. Primeiro: não me meteram uma cruz em cima por ser estudante de engenharia (que é algo mais frequente do que pode parecer), segundo: elas têm cuidado ao criar as duplas de voluntários e ao escolher as pessoas que nós temos a sorte de visitar de forma a tentar criar a melhor dinâmica possível. (Mas não digam isto à SIC senão ainda as tentam contractar para serem “especialistas” nos casados à primeira vista), terceiro: apesar de todo o trabalho que elas têm, fazem questão de nos acompanhar nas primeiras visitas e sabemos que se algum imprevisto acontecer elas vão logo atender o telemóvel.

Por isso, se tiverem uma horinha por semana em que tenham disponibilidade e queiram conhecer e passar tempo com uma pessoa com experiência de vida, aconselho-vos a dar uma olhadela na AMPMV.

Se não souberem o que dar no Natal, podem oferecer um livro com receitas e um pouco da história dos habitantes dos bairros típicos (que estão em risco de extinção pelo aumento dos alojamentos locais e ganância de alguns senhorios - coisas para as quais elas também tentam ajudar), um livro sobre a história de algumas pessoas disfarçados sobre a forma de contos (11,5 e 5 euros respectivamente).

Podem ser associados, fazer donativos, e afins (não sei muito sobre este departamento porque tenho pouco dinheiro pelo que só posso disponibilizar tempo)

Também podem passar nos próximos dias pela Fnac dos armazéns do Chiado, dar um oizinho aos voluntários (ou trabalhadores da fnac) que estiverem na parte dos embrulhos e meter um donativo na caixa transparente e relativamente grande que vai estar em cima da mesa. Também podem seguir a actividade de associação no Facebook e/ou no Instagram para estarem a par de algumas das actividades que vão ocorrendo. 

Ou mencionar esta óptima associação aos vossos amigos e familiares.

Ou simplesmente ignorar este post, apesar deste ser feito com muito carinho; e estar a chegar o “Giving Tuesday”; e ser Dezembro; e a associação ser óptima e ter poucos apoios... Vá... pelo menos falem da associação, nem que seja ao cão ou periquito

02
Nov19

Mestre cupido

Maki

Já experimentei o Tinder, o bumble e até mesmo o okcupid. 

Nenhum deles funcionou. O melhor tipo que me apareceu foi um amurican redneck que era fa de Murakami, mas o bacano trabalhava num cruzeiro então não deu para combinar nada. 

Após imensos swipes e matches vazios e falhados, decidi que chega. 

Todas as apps são demasiado meh e não se focam muito no conteúdo da pessoa... E por mais papável que a pessoa seja, se não houver conteúdo, não dá muito por onde lhe pegar. 

Por isso tive uma ideia de um milhão de dólares e na qual provavelmente há mais um milhão de pessoas a trabalhar. 

Uma dating app. Vou fazer um esquema e tentar apresentar a ideia a um amigo meu de design. Se ele alinhar vou fazer uma partnership com ele e desenvolver esta merda. 

Até lá vou instalar novamente o Tinder e apontar tudo o que acho estar errado com a App. E talvez encontrar o Arnaldo. 

Wish me luck 

02
Nov19

É assim tão complicado acreditar no Arnaldo?

Maki

Sinto-me ofendida. Quando me perguntaram se ainda estava solteira falei do Arnaldo, um tipo ligeiramente mais velho, estupidamente alto e nada gato.

Ok, ele não existe. Mas wow, podiam fingir que acreditavam que eu conseguia arranjar homem, nem que fosse apenas por uns breves minutos. 

Agora por uma questão de honra tenho mesmo que encontrar um Arnaldo, de preferência ligeiramente gato. 

14
Set19

Do que uma pessoa se lembra

Maki

Ontem fui jantar a casa de uma das pessoas mais honestas e directas que tenho na vida, as almôndegas estavam óptimas, o ambiente estava super bacano, rimo-nos como uns perdidos, entretanto apareceu uma amiga nossa, continuámos a ter uma noite do caraças que terminou em revolta porque um cozinheiro austríaco da não abriu a pavlova que fez no programa de culinária.

Quando cheguei a casa lembrei-me de quando conheci a jovem que chegou depois. Andava eu no quinto ano, numa turma onde éramos só 6 gajas, das quais 2 eram bullies e 2 não tinham opinião em relação a nada. Não se pode dizer que tenham sido bons anos aqui para a besta, que criou uma alcunha para uma cabra que tentou fazer bullying comigo, alcunha que ainda hoje a persegue (acho que já falei algures sobre a minha opinião em relação ao Karma...). 

Conhecemo-nos no desporto escolar, falávamos antes, depois e durante os treinos de natação. A natação era a única altura em que tinha pessoas decentes à minha volta, então eu ouvia mais do que falava com medo de fazer algum erro que afugentasse as pessoas. Eram também os anos dourados do DE na minha terra, nunca houve tanto gajo decente nesta terra como naquela altura, mas só me lembro de um. O gajo devia ser 3 ou 4 anos mais velho que eu, era super alto, e na altura achava-o super giro apesar de agora não me lembrar de nada para além de que era alto e tinha uns olhos castanhos adoráveis. Ele era super simpático, e como eu era extremamente calada quando estava sozinha às vezes tentava falar comigo. Eu entrava em pânico, era ridículo. No entanto de situações só me lembro especificamente de uma (o meu cérebro é um fofo que me faz o favor de aniquilar as memórias constrangedoras). Era de tarde, eu estava no cacifo e assustei-me para caralho quando ele apareceu do meu lado esquerdo, só me lembro de dar um pulo e olhar para o alto e ele estar lá a dizer qualquer coisa com uma t-shirt laranja. 

Nunca mais o vi.

O coitado foi provavelmente o meu primeiro crush e a razão de eu gostar de nadadores.

 

 

27
Abr19

Ressuscitando

Maki

Aproveitei o exemplo de Jesus, mas em vez de desligar durante 3 dias, desliguei durante 7. Nesses 7 dias foquei-me em mim; nos meus amigos; na minha família e em ser feliz no momento. E verdade seja dita, fui bastante feliz nesses 7 dias, feliz como não era desde que entrei na faculdade (tirando um breve encontro que tive com os meus tios, mas mantendo o mote: "Sê feliz", fugi dali o mais depressa que pude e evitei focar-me nessas criaturas). 

Soube-me tão bem. Mas tão bem... Agora voltei ao meu dia-a-dia, voltei a trabalhar na tese, nas cadeiras, mas com uma ligeira diferença: tiro pelo menos uma hora para ser feliz. Acordo mais cedo, bastante mais cedo, mas também deixo de trabalhar nas coisas mais cedo. Depois da 17h estou disponível para fazer o que quiserem, café? Bora. Deitar na relva a levar com o Sol na tromba? Bora. Festas com musica ranhosa? Bora. Cinema? Bora. 

Nunca estive tão bem e equilibrada, talvez não esteja a avançar como devia na tese, mas estou feliz, saudável e a criar memorias bacanas com pessoas que valem a pena. Vou ter que passar mais um semestre na faculdade? Provavelmente. Mas a melhoria de saúde que tive nas ultimas semanas não tem preço (a minha família concorda com isto? Provavelmente não). 

24
Nov17

Onde andam as borboletas?

Maki

Hoje dei por mim com saudades de estar apaixonada, de me atrapalhar toda quando falo com alguém, de sentir um nervosinho miudinho quando sei que vou ver essa pessoa, de sentir o meu dia melhorar imenso depois de um "bom dia" e dessas pequenas coisas que me fazem sentir estúpida e pequenina.

Já lá vão 2 anos desde a última vez que me senti uma pequena idiota e 6 desde que me senti uma grande idiota. Tenho saudades... O que é estúpido tendo em conta que costumo gostar de bons rapazes burros como a porra que por sua vez gostam de raparigas boas mas que estão longe de ser boas raparigas... Independentemente disso estar apaixonada é bom tenho saudades... Ou tenho demasiada febre e o meu raciocínio está turvo... É bonito pensar que é a primeira, mas é mais provável que seja a última. Vou buscar o termómetro...

31
Ago17

Os velórios

Maki

Em toda a minha vida fui a dois velórios, o da minha avó e o da avó de uma amiga. O da minha avó custou-me horrores, porque pronto... Era o da minha avó, mas nem quero pensar no quão lixado deve estar a ser para ela estar lá.

Quando fui ao da minha avó eu chorei, chorei imenso, hiperventilei foi uma alegria para os "papa funerais", mas também me ri, ri-me bastante, contei piadas e relembrei os meus avós, a minha família juntou se a contar histórias sobre eles. Agora que olho para trás vejo que foi saudável. Fez-me bem tanto chorar como rir.

No velório da avó da minha amiga não se ouvia uma palavra, todos estão a sofrer em silêncio e de forma equilibrada. Há momentos em que não temos que ser equilibrados. Há momentos em que temos o direito de chorar baba e ranho! E este é um deles... Tive pena de não poder estar lá muito tempo... De não me ter apercebido que ela não queria rir e ter mandado uma piada sobre os "papa funerais". Eu tenho que aprender a estar calada mas ela tem que aprender a explodir.

05
Abr17

Após 9 anos não me deixa de surpreender

Maki

A única rapariga que me conseguiu aturar 9 anos sem interrupções, afastamentos ou "pausas" surpreendeu-me no sábado, ao longo de todos este anos tentou lançar-me a bestas desconhecidas, em festas, em bares, por vezes até na rua, enquanto sorria e alegava que tenho que estar aberta para "amor" (obviamente o meu homem ideal é do tipo aventureiro que agarra bundas sem ver a cara). No entanto este fim-de-semana um colega dela decidiu pregar-lhe uma partida com a minha ajuda, o plano dele era fingir que estava a tentar engatar-me e avisa-la que andava apalpando terreno enquanto eu a ia bombardear com mensagens a questiona-la porque raio é que o rapaz se tinha lembrado de falar comigo de forma estranha e desabafar com ela que era uma merda ele estar com essas porcarias porque como a tínhamos como amiga em comum não o podia mandar passear para não criar mau ambiente. Honestamente fiquei surpreendida por ele ter percebido tão bem o tipo de reacção que eu teria, e aceitei. 

A reacção dela para comigo foi a esperada, disse que aquilo era muito estranho e que não estava a compreender o que estava a acontecer, mas com ele a conversa foi deveras diferente, algo que não esperava, disse-lhe para parar com aquilo, que eu era amiga dela à bastante tempo, que era nojenta a forma como ele estava a falar de mim e que me ia proteger daquilo. Fiquei em choque, sabia que ela não ia concordar a investida dele (afinal, as bestas nocturnas só rondam durante alguns minutos e acabam por nunca mais aparecer na minha vida (maior parte das vezes...), o amiguinho dela sabia como me contactar e havia a possibilidade de um dia sairmos todos juntos), mas nunca pensei que tivesse uma veia protectora tão forte e que a demonstrasse... Foi de tal forma surpreendente que me senti super mal por ter concordado com aquilo... Senti-me bem mais segura depois daquilo, talvez um dia, quando o desespero for grande, aceite ir a um blind date arranjado por ela como me anda a sugerir à meses...

07
Fev17

Outra vez esta época do ano...

Maki

Faltam exactamente 7 dias para o dia de São Valentim, e para além de já se sentir o cheiro a desespero a veia casamenteira das pessoas anda a aflorar... 

Ontem estava a falar com umas amigas, e para elas se pararem de queixar comecei a explicar-lhes que pelo menos não tinham a pessoa mais cabra do mundo constantemente a tentar come-las, elas conseguiram mudar a história de forma a que aquela porcaria estivesse cheia unicórnios e arco-íris... Realmente, que estúpida que sou... Porque raio é que eu não haveria de comer uma pessoa com o qual são tão compatível que me fez ir para uma casa de banho esmurrar uma parede e chorar de raiva? Realmente é o tipo ideal! Devia mesmo ir a um cafezinho com ele! 

Nem quero imaginar se lhes tivesse contado do amiguinho que me andava a fazer stalking e que literalmente correu atrás de mim até ao metro e do qual só me livrei porque tive sorte da linha estar cheia de gente e haver uma saída no fim da mesma. Se o outro bastardo é boa pessoa este deve ser só um tipo tímido que gosta de correr e ter monólogos por mensagem no fb com pessoas que não o tem adicionado.

Realmente eu tenho muita sorte, o problema são os meus padrões demasiado elevados tendo em conta quem sou.

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