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A minha vidinha

A minha vidinha

02
Dez19

A associação é pequenina mas o impacto é enorme

Maki

Chama-se Associação Mais Proximidade, Melhor Vida - AMPMV (sigla que nunca consigo decorar e tive que verificar). 

Acompanham cerca de 200 idosos residentes na zona da Baixa e Mouraria: fazem visitas; solucionam problemas; acompanham ou arranjam alguém que acompanhe as pessoas (caso estas queiram) ao médico; fazem a ponte entre os idosos e outras instituições que os podem ajudar em diversos assuntos; fazem telefonemas para garantir que está tudo bem; sobem e descem imensas escadas devido à falta de elevadores; gerem equipas de voluntários e são menos de 10 pessoas.

No ano passado acompanhei uma delas durante uma manhã e cheguei à hora de almoço estafada. Elas não param, tem sempre algo para fazer, alguém que visitar. Fiquei fascinada com a força que elas têm.

Mas acima de tudo, o que mais aprecio e infelizmente não vi em muitas associações/instituições em que a minha avó esteve, é que elas respeitam e não tentam tentam mudar o comportamento das pessoas, apenas as aconselham. 

Sou lá voluntária há coisa de 2 ou 3 anos, e não podia ter escolhido um sítio melhor para o fazer. Primeiro: não me meteram uma cruz em cima por ser estudante de engenharia (que é algo mais frequente do que pode parecer), segundo: elas têm cuidado ao criar as duplas de voluntários e ao escolher as pessoas que nós temos a sorte de visitar de forma a tentar criar a melhor dinâmica possível. (Mas não digam isto à SIC senão ainda as tentam contractar para serem “especialistas” nos casados à primeira vista), terceiro: apesar de todo o trabalho que elas têm, fazem questão de nos acompanhar nas primeiras visitas e sabemos que se algum imprevisto acontecer elas vão logo atender o telemóvel.

Por isso, se tiverem uma horinha por semana em que tenham disponibilidade e queiram conhecer e passar tempo com uma pessoa com experiência de vida, aconselho-vos a dar uma olhadela na AMPMV.

Se não souberem o que dar no Natal, podem oferecer um livro com receitas e um pouco da história dos habitantes dos bairros típicos (que estão em risco de extinção pelo aumento dos alojamentos locais e ganância de alguns senhorios - coisas para as quais elas também tentam ajudar), um livro sobre a história de algumas pessoas disfarçados sobre a forma de contos (11,5 e 5 euros respectivamente).

Podem ser associados, fazer donativos, e afins (não sei muito sobre este departamento porque tenho pouco dinheiro pelo que só posso disponibilizar tempo)

Também podem passar nos próximos dias pela Fnac dos armazéns do Chiado, dar um oizinho aos voluntários (ou trabalhadores da fnac) que estiverem na parte dos embrulhos e meter um donativo na caixa transparente e relativamente grande que vai estar em cima da mesa. Também podem seguir a actividade de associação no Facebook e/ou no Instagram para estarem a par de algumas das actividades que vão ocorrendo. 

Ou mencionar esta óptima associação aos vossos amigos e familiares.

Ou simplesmente ignorar este post, apesar deste ser feito com muito carinho; e estar a chegar o “Giving Tuesday”; e ser Dezembro; e a associação ser óptima e ter poucos apoios... Vá... pelo menos falem da associação, nem que seja ao cão ou periquito

06
Mar16

A minha relação com os livros

Maki

Desde pequena que gosto de ler, o meu pai sempre me incentivou a isso e ao ingressar no ensino básico os livros acabaram por ser o meu refugio (resumidamente o meu 5º e 6º ano foram horríveis, éramos cinco raparigas da turma, nenhuma era da minha terra e elas gostavam demasiado de maquilhagem e flirting... Provavelmente devido aos Morangos com Açúcar). Entretanto cresci, conheci pessoas fixolas e deixei de ler com tanta frequência (mais por preguiça do que por falta de tempo que a minha vida social nunca foi muito agitada). Entretanto porcarias acontecem e senti necessidade de me voltar a refugiar e desconectar da realidade, nessa altura conheci o meu autor favorito e entrei dentro de um livro como nunca tinha entrado na minha vida (e olha que eu vivia bastante as histórias), lembro-me perfeitamente da sensação que tive... Para mim Kafta à Beira-Mar foi uma lufada de ar fresco excepcional, lembro-me perfeitamente de não o conseguir parar de ler, tanto que só parava quando adormecia e não adormecia pelo livro ser chato, pelo contrário, estava tão dentro do livro que não dava por mim a adormecer, simplesmente acontecia.

Depois de Kafta à Beira-Mar voltei a ler frequentemente. Até que entrei na faculdade e troquei os livros por sono e vídeos aleatórios no youtube... Sim... Troquei uma boa história por relatos de góticos, transexuais, vídeos de gatos, pranks e tutorias de maquilhagem que nunca iria fazer... Felizmente isso só durou um semestre. Um dia estava a deambular e acabei por entrar num alfarrabista, o cheiro, as estantes recheadas de livros, a falta de luz, tudo isto fez-me lembrar a biblioteca antiga que havia na minha terrinha, lembrei-me de como me sentia a ler, lembrei-me de vários momentos que passei a ler, não me lembrei das historias, mas de como certos livros me fizeram sentir (a minha memoria é uma poia) e acabei por comprar 2 livros e voltei a ser viciada em livros... 

Infelizmente as minhas amigas não compreendem... Apesar de eu ir a todas as lojas de roupa com elas sempre que eu menciono algum sitio com livros reviram os olhos, só há uma que me acompanha de boa vontade e é porque tem esperança de encontrar um gajo bom a vasculhar as estantes...  

23
Fev16

Alentejo Vivido

Maki

Ainda não li o livro "Alentejo Prometido" do Henrique Raposo, honestamente até a breves momentos desconhecia a existência de tal pessoa até me deparei com um vídeo no facebook em que ele falava do seu livro e do Alentejo, mas ele não falava do "meu" Alentejo, falava sobre um Alentejo frio e distante com o qual nunca tive contacto.

No Alentejo há suicídios? Sim! Bastantes, um dos meus avôs suicidou-se quando eu ainda não tinha capacidade de criar memorias, um senhor que outrora teve um pequeno império de lojas também, os alentejanos consideram o suicídio algo vulgar? Não. Um suicídio é acima de tudo uma perda humana, e - pelo menos no Alentejo onde cresci - é velada como qualquer outra. Vão familiares, vão amigos, vão vizinhos, vão conhecidos, por vezes até vão desconhecidos. Sempre que alguém morre na minha terra a família que perdeu um elemento não fica sozinha. Os vizinhos batem à porta, os companheiros de copos de outrora também. Querem saber informações para terem conversa no café? Talvez. Mas pelo menos estão lá.

No Alentejo onde cresci é raro ver um velhote sozinho num banco, estão sempre dois ou três, e se estão sozinhos é porque os seus compadres não madrugaram como de costume. As velhotas (e as não assim tão velhotas) vão pedir um raminho de hortelã e saem da casa da vizinha meia hora depois com hortelã, coentros e por vezes caça que sobrou. Nos cafés e tabernas mesmo que uma pessoa se sente numa mesa sozinha acaba por conversar com a mesa do lado, da frente ou até mesmo com a mesa que fica na outra ponta, porque no Alentejo onde cresci ir tomar um cafezinho não se resume a embocar cafeína e ir a correr para o trabalho, assim como beber um copinho nunca se restringe a um copinho.

Onde cresci existe carinho, preocupação, dedicação. Os meus avós não possuem o vocabulário mais extenso do mundo, não sabem muitas palavras caras ligadas com sentimentos ou como expressa-los verbalmente, mas eles sentem, e tenho a certeza que eles me amam assim como amaram os seus filhos e eu espero um dia amar os meus. Provavelmente o meu avô nunca me disse que adorava ou sequer que gostava de mim por ter crescido numa sociedade em que um homem não deve dizer essas "mariquices", mas os passeios que ele dava comigo, as suas piadas e brincadeiras demonstravam bem o que ele sentia. Agora que penso nisso acho que mesmo os meus pais e a minha avó nunca me disseram que me amavam, mas nunca na minha vida duvidei de tal. 

Fui muito feliz no Alentejo onde tive sorte de crescer e sempre que posso tento voltar lá. Tenho pena que o senhor Henrique Raposo assim como todas as pessoas que vivem no Alentejo que ele descreve, gostava que todos eles tivessem a oportunidade de viver no mesmo Alentejo em que eu cresci, mas infelizmente esse Alentejo está a desaparecer, os velhotes cada vez ficam mais velhos e o cabr** do tempo não perdoa pelo que já não podem ir para os bancos onde costumavam apanhar Sol. A vizinha deixou de plantar coentros porque a por** da geada os queima. As tabernas estão vazias que com o dinheiro de "um" copinho se compra um pacote de vinho. Guardo comigo a dificuldade de expressar verbalmente o que sinto deixando as minhas acções falar por mim que parece ser o único que consigo preservar do Alentejo em que cresci.

11
Jun15

A minha primeira vez

Maki

Aconteceram muitas coisas desde que vim para Lisboa, umas boas outras más, hoje vou falar de uma que me marcou particularmente... Sabem quando querem muito fazer algo, pensam sobre isso durante bastante tempo e depois de o fazerem sentem-se deprimidos e vazios? Isso resume a minha experiencia na Feira do Livro... 

Há bastante tempo que queria ir mas nunca tive a oportunidade então este ano fiquei super feliz, peguei nas minhas coisas e fui para o Parque Eduardo VII, a minha ida para lá foi relativamente atribulada, digna de um livro épico até, perdi-me no El Corte Ingles, os trabalhadores das lojas(?) olhavam para mim do género "ugh classe media.", fui guiada por um segurança Simpático até à porta mais próxima do jardim, subi colina, contornei a Linha d'agua e vi-a no horizonte. Ganhei um novo animo, acelerarei o passo e cheguei lá. Entrei pelo stand da Leya, onde fiquei pressa algum tempo visto que estava imensa gente lá e é a editora de alguns dos meus escritores favoritos, segui caminho e resolvi aproveitar uma promoção tipo "pack surpresa", por 5euros levei 4 livros empacotados com base apenas nos títulos, honestamente estava bastante reticente na compra, vai contra os meus instintos comprar um livro sem ler pelo menos uma folha, mas resolvi arriscar! Agora tenho 4 livros de poesia na estante o que não é mau... Mas como sou uma pessoa mais virada para a prosa é um pouco estranho... Continuei a minha jornada, esquivando pessoas, memorizando os stands por onde tinha que passar ao voltar por atolados de momento, sendo atropelada por carrinhos de bebes, e passando aproveitando cada expositor menos concorrido para realmente ver os livros decentemente, comprando alguns. 

Gostei de lá estar, fiquei feliz por ver bastantes crianças, por falar em crianças, fiquei chocada quando passei um uma banca e descobri que a Anita já não se chama Anita e que agora se chama Maqualquercoisaparecidacommatutano...

Quando sai da Feira fui percorrida pelo habitual vazio que sinto após saltar entre vários livros e não os poder levar a todos para casa e um sentimento de culpa que me persegue sempre que gasto dinheiro, mas apesar de tudo quero voltar lá e aproveitar a hora H... Vocês também deviam.

30
Jan15

O rapaz 100% perfeito

Maki

Acho que vi o rapaz cem porcento perfeito para mim. Não, não passei por ele, sim era mais fofo se dissesse "passei pelo rapaz cem porcento perfeito para mim" mas nop. Vi. Nunca fui destas coisas de amor à primeira vista e afins, aliás, eu não senti uma tremenda paixão quando o vi, a verdade é que nem foi bem atracção, mas quando os nossos olhares se cruzaram senti que ele o rapaz perfeito para mim. Estúpido right? Tenho que deixar de ler Murakami que esta porcaria tem demasiadas semelhanças com um conto dele... Só que em vez de ser numa rua toda fofinha com brisa foi no pingo doce. Como era ele poderão estar a questionar-se (eu estaria...), provavelmente imaginando um bisonte todo bom, um gajo super bonito, loiro, olhos azuis. Desculpem desapontar... Era um gajo normal. Olhos pretos, cabelo castanho, alto, com feições normalíssimas e provavelmente tímido (pelo menos foi essa a ideia com que fico quando as pessoas falam baixinho com a senhora da caixa e se fartam de olhar para baixo...), no entanto esse gajo normal tinha algo que me fez pensar que ele era o gajo perfeito para mim.

26
Jan15

yeeeey férias

Maki

Hoje fiz o meu último exame a sério (o próximo é melhoria por isso não conta), sinceramente acho que devia estar a chorar, afinal, deixei uma pergunta e provavelmente errei mais de metade, mas honestamente, já não quero saber, fui com o intuito de fazer o exame, juro que estava disposta a passar 3horas desta pela tarde fechada numa sala debruçada sobre um bocado de papel com o meu nome, juro que sim, mas vários factores fizeram com que eu apenas fizesse a melhoria de um teste e não o exame. Um deles foi o facto de estar toda lixada das costas, outro foi estar numa daquelas mesas magníficas com uma perna mais pequena que outra (sim, no meio de 50 mesas sentei-me numa que não estava estável, yup, I'm that lucky) e o último factor, provavelmente o mais importante é eu ter rido que nem uma desvaida quando vi o resto do exame (ok, não me ri assim tanto, nem ri... Mas sorri, o que num exame é bastante raro, qualquer pessoa que me visse diria que eu estava bastante confiante e ia ter um 20, não que olhei para aquilo e pensei "aahahah estás tão fodida". Então todos esses factores levaram que eu abandona-se a sala 1h30 mais cedo que o previsto, e apesar de tudo feliz. Sim posso chumbar (provavelmente vou chumba), mas pelo menos agora acabei, estou de férias, posso ler, oh gosh hoje li tanto, à muito tempo que não lia, vou poder ver anime, estar com os meus amigos (sim, eu tenho amigos), nadar, correr... Fazer todas as coisas que me deixam feliz e não fazia durante o semestre porque... Bem porque fui parva...

30
Out14

Oh a ironia...

Maki

Hoje fui às compras... Odeio faze-lo mas tem que ser... Gastei 65... 30 dos quais da forma mais ironica possivel... Fui à Fnac e vi o Kakebo e pensei "olha! Aquela ceninha que os japoneses usam para anotarem os gastos!" peguei naquilo, esfolhei e dirigi-me para a fila, e começo-me a rir sozinha, a partir do momento em que uma pessoa compra um livro de 15eur para tratar da gestão do dinheiro é porque realmente algo de errado se passa... Como se não me bastasse cheguei ao balcão e a senhora pergunta se eu não quero o aderir ao cartão fnac... E pronto... Sai da fnac com menos 15 euros, daqui a uns meses fico com menos outros 15, mas agora tenho um livro que me vai ensinar a poupar e a ser inteligente a fazer compras which is nice.

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