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A minha vidinha

A minha vidinha

14
Nov19

"É o Bento minha senhora"

Maki

"Uma senhora ao ouvir baterem ao postigo disse à caseira para ver quem era.

" É o Bento minha senhora." Diz a caseira. 

"Diga que entre."

"Mas minha senhora, é só o Bento!" responde a caseira. 

"Diga que entre!" ordena a senhora. 

A caseira abre o postigo e deixa o vento entrar.".

 

(No entanto a caseira enganou-se, o vento estava acompanhado do Cronos,  e entraram juntos. À sua passagem a memória alterou-se, e parte da tradição oral perdeu-se. )  

11
Jun18

Aquele trigger

Maki

Este fim de semana fez um mês que a minha avó faleceu. Tenho andando a evitar ao máximo pensar nisso, estou constantemente a jogar, ver séries, filmes ou até mesmo os programas da tarde para evitar pensar nisso. Não consigo estudar e não quero, qualquer tempo a sós com os meus pensamentos é perigoso. Heis que hoje ao ir para o quarto resolvi cantar uma música que tinha na cabeça. Um verso, disse um verso de voz clara e os outros com uma voz tremida entre soluços. Era uma música que o meu avô costumava cantar, depois lembrei-me de outra, e de outra e passei para aí 30 minutos a tentar cantar uma com uma voz clara para tentar fazer jus à voz do meu avô, mas falhei, completamente, sou uma vergonha... Após 3 anos a puxar pelo pessoal para cantar uma moda bem cantada e ter enchido a minha avó de nostalgia ao cantar no primeiro natal que passámos sem ele, agora é que me deu para chorar... Sou uma vergonha... Eu no fundo só quero cantar como a rola... Mas como a rola ninguém canta nê? 

Amanhã vou tentar ganhar coragem para ir limpar lhes a campa. 

18
Fev17

Também tenho que passar a vir à terrinha uma vez por ano

Maki

Os meus tios estão aqui para fazerem a sua habitual visita de "despedida", ritual que adoram fazer quando a minha avó está hospitalizada de forma a aliviarem a consciência pela sua ausência constante e verem o que é que ainda vão a tempo de levar da casa dela. Apesar da minha avó ter estado hospitalizada a uma hora de distância da casa deles não meteram uma única vez os pés no hospital, a única coisa que faziam era ligar-me durante a única meia-hora em que eu podia estar com ela. Mas agora que está no Alentejo já é produtivo visita-la, após a visita fazem mais uns kms até à casa dela e podem pensar sobre que obras vão fazer caso ela não recupere. Mas ela vai recuperar.

Eu e o meu avô éramos as unicas pessoas que não ignoravamos o óbvio, infelizmente agora sou a única. Nos últimos 3 anos fizeram exactamente 3 visitas desse tipo, andam de um lado para o outro, falam muito baixinho apesar da minha avó ser surda que nem uma porta e dizem sussurrando quando saem do quarto "coitadinha... Não reage..." Claro que não reage! Está com febre, surda e vocês sussurram! Mas as pessoas que trabalham nos hospitais e unidades de cuidados continuados adoram-os. Adoram o teatro de deixarem uma carta na mesinha de cabeceira apesar da minha avó não saber ler, adoram o olhar apagado e os sussurros. É bem melhor que ter alguém a andar atrás deles a perguntar se pode dar água a um doente por estar com a língua extremamente seca, a pedir seringas para dar suplementos, a perguntar que tipo de acompanhamento está a ter. Eu sou uma chata e eles são uns santos, e se for preciso até me transformo em Lúcifer para que não deixem a minha avó a um canto à espera da sua hora.

Mas não é só o teatrinho que me dá náuseas, o meu pai também, sempre que eles vêm cá pega numa esfregona e tenta dar um jeitinho à casa. Sabem quantas vezes é que ele fez isso comigo? Umas 3, depois disso sempre que vim de fim de semana tive que limpar a casa de cima a baixo, e quando volto no fim de semana a seguir já está outra vez suja porque não há qualquer cuidado da parte dele para manter as coisas limpas.

Acima de tudo o que me irrita é que hoje não a vou conseguir ver, não a vou poder acalmar quando começar a chamar pela mãe enquanto dorme nem lhe acenar nos breves momentos em que abre os olhos porque o meu pai acha que não vale a pena ir lá quando do estão lá os outros e não tenho qualquer tipo de transportes até ao hospital porque sou do interior.

01
Set16

Fiquei na duvida se o senhor procurava clientes ou quem lhe desse uma sova

Maki

Eram quase oito da noite quando ouvi a campainha, como estava esfomeada fiz um pequeno sprintzito na esperança que fosse o meu pai com o jantar. Mas naaaaaaaaao... Em vez do meu pai estava lá um senhor com um monte de papeis na mão, para meu espanto o senhor não estava lá para falar de Deus, mas sim para falar do que ele considera ser o melhor pacote do mercado (e não, não era o seu rabinho).

Após explicar que não sou responsável por nada disso cá em casa disse o tradicional "se voltar mais tarde pode ser que esteja cá o meu pai", e não é que voltou? Não uma, não duas, mas três vezes no espaço de 45 minutos... sempre que ouvia o raio da campainha começava a salivar como se fosse o cão de Pavlov e corria para a porta, e sempre que a abria em vez do jantar encontrava o senhor... como devem compreender comecei a ficar ligeiramente frustrada. Heis que às nove ouço a porta da rua abrir... Finalmente chegava o meu jantar! O meu jantar e o raio do senhor...  Não é que o meu pai estava disposto a ouvi-lo? Às nove da noite... Apesar de ter a filha a morrer de fome o meu pai começou a dar conversa ao senhor em relação ao serviço (incrível como todos os termos relacionados com isto ou fazem com que pareça que estou a falar de drogas ou prostituição...). Sabem o que é ouvir um senhor a divagar enquanto se está esganada de fome? Eu sei... E quando digo divagar quero mesmo dizer divagar! O senhor começou a falar no produto e lá para o meio falou da tia. Da tia... Eu cheia de fome e o senhor a falar da sua tia... O meu pai também não é nenhum santo que também mencionou o meu curso, então quando o senhor resolveu voltar a falar do produto em si ouvi um "como a dona Maki deve saber". O que me irritou, não apenas por já passarem das nove e meia e eu continuar sem comer, mas também pelo tom cínico que nem se deu ao trabalho de disfarçar, no entanto como estava em fraqueza ignorei aquilo até que ele acrescenta "Ah, não me diga que é daquelas que deixa cadeiras por fazer". Ca-brão! Ok, por acaso até sou daquelas que deixa cadeiras por fazer, mas duvido que dizer essas coisas da filha de um possível futuro-cliente seja uma boa estratégia... Aliás, tendo em conta que a jovem em questão está com uma fome desgraçada tal acto podia muito bem ter acabado com o senhor a levar com uma cadeira (daquelas que por acaso não faço... de metal) na tromba.

Jantei às dez da noite...

19
Ago16

Atão avô?

Maki

Já lá vão 90 anos desde que você se lembrou de nascer hã? Infelizmente nos últimos dois anos não esteve aqui para celebrarmos o seu aniversário juntos e nunca lhe cheguei a fazer o bolo que prometi, dava qualquer coisa para o voltar a ouvir refilar por não o ter ou por me recusar a passar a ferro com medo de lhe queimar a roupa (diga o que disser é uma razão bastante válida). Dizem que só damos valor quando perdemos, mas eu sempre o valorizei, como saí a si sou terrível a dizer lamechices no entanto espero que assim como eu sei que você gosta de mim você também saiba que gosto de si. 

Ai está um calor que não se pode! Acabei agora mesmo de ver a avó, ela está rija (não como um alho chocho, está mesmo rija), continua preocupada por lá não lhe darem a hipótese de fazer luto total e pela casa, mas ela é uma mulher forte, mais forte que muitos homens. Os canários continuam vivos, um está coxo mas de vez em quando ainda cantam, já não tenho os dentes "podres" que o aparelho já foi com os porcos mas mesmo assim continuo sem arranjar homem (sempre lhe disse que era do meu mau feitio, saí a você...).

Bem vou andando que tenho que me despachar, ai de você que me mande pela sombra pelo Sol estar quente!

12
Abr16

Delicadeza de mãe

Maki

No outro dia sentei-me num banquinho com uns amigos a falar da vida enquanto aproveitávamos para levar com alguns fotões na cara quando uma mãe levou uma criança e arrastou outra para um baloiço todo moderno que era uma mistura entre o sobe-e-desce e aqueles cavalos que tem uma mola por baixo. Ora aquilo era tão xpto que nós ficamos curiosos e resolvemos observar para tentar perceber como aquela obra de engenharia funcionava. Ao inicio aquilo não funcionou, as crianças assim como nós não perceberam como deviam por aquilo a andar e ficaram simplesmente lá sentadas, até que a mãe se aproximou do aparelho e começou a abanar aquilo. Uma das crianças estava a adorar, a outra a odiar. A criança que estava a adorar disse que gostava de tentar tocar no chão, a mãe direcciona a sua força na direcção dela, ela consegue tocar no chão e ficou toda feliz a dar gritinhos, a mãe resolveu que a outra criança também deveria querer tocar no chão, então faz força na direcção dela e começa a dizer "toque no chão", ao compreender que ela estava meio reticente em deixar de se segurar ao aparelho com as duas mãos a mãe aumenta a força e diz "TOQUE NO CHÃO! TOQUE TOQUE!" até que a criança tocou no chão. 

Poucos momentos depois abalamos do banco e fomos para o metro. Qualquer dia voltamos lá para experimentar o aparelho, provavelmente não vamos tentar tocar no chão.

04
Ago15

Quando uma pessoa tem que engolir sapos

Maki

Existem pessoas estúpidas, pessoas cínicas, pessoas manipuladoras, e existem pessoas que têm o poder de ser dotadas de todas essas características. Como é o exemplo do meu caro tio.

O senhor irrita-me, irrita-me profundamente, irrita-me como nem toda a gente me irrita. Odeio ouvia a voz dele, odeio o tipo de conversa, odeio a ganância.

Hoje ligou ao meu pai, raramente o faz, mas hoje às estrelas alinharam-se e ele ligou. Com a proximidade da festa da terrinha o senhor resolveu que era uma boa altura para sugerir meter uma pessoa a limpar a casa dos meus avós, afinal, ele não está disposto a vir à terrinha e limpar a casa. Ele quer é ter uma casinha na terrinha para trazer os amiguinhos finórios.

Quando os meus avós eram rijos e tratavam da casa não havia um ano em que não viessem cá passar uma ou duas semanas, comer a comidinha, e dar uma voltinha enquanto a minha avó tratava de tudo. Desde que a minha avó deixou de conseguir tratar das coisas raramente resolvem dar um ar da sua graça. E como o meu avô dizia o que toda a gente achava e mandava umas boquinhas houve uma altura em que passavam pouco mais de 2 dias cá.

Só de pensar como a minha avó se deve sentir... Como o meu avô se devia sentir... Odeio-os. Odeio como eles acham que a minha avó está senil quando ela está apenas surda e não percebe o que eles dizem visto que eles falam para dentro. Eu mal os entendo e não tenho nenhum problema, como é que eles esperam que a minha avó o faça? Ah! Isto tinha que sair!

20
Jul15

Os mini-manipuladores

Maki

Odeio quando dizem que as crianças não fazem as coisas por mal e que utilizem isso como desculpa para tudo. Já fui criança e lembro-me perfeitamente de ter noção das coisas (em parte por a minha infância ter sido à relativamente pouco tempo).

Sejamos honestos, facilmente qualquer um repara nisso: uma criança ao pé dos pais geralmente tem um comportamento completamente diferente ao pé de outros familiares ou desconhecidos; uma criança sabe a quem pedir as coisas e como pedir, por exemplo, hoje estava numa sala com uma criança, a mãe dela e um familiar meu, depois da mocinha andar pelas redondezas e pouco antes de se ir embora pega numa ceninha com bonequinhos sorri, vira-se para o meu familiar e diz: "É tão giro", olha para a ceninha com grande sorriso e novamente para o meu familiar. Ora o meu familiar coração mole e acessível como é diz-lhe para ficar com aquilo e pergunta inclusive se não quer mais nada, em menos de 10 segundos e após fazer um daqueles "hmmmm" bem sonoros pega em outra coisa semelhante, feliz da vida preparado para sair da divisão com as suas novas aquisições, só que o inesperado ocorre e antes de seguir o seu caminho o meu familiar diz: "tens que lhe perguntar se podes levar" e aponta para mim, a pequena até ficou branca (em minha defesa tinha sono e estou doente o que faz com que o meu aspecto piore exponencialmente), olhei para aquilo enquanto sentia a pressão dos dois adultos presentes na sala e o pânico da pequena criança, como não era nada a que tivesse grande ligação disse que o podia levar a pequena sentiu-se tão aliviada, abraçou o meu familiar agradeceu, pegou no braço do adulto responsável por ela e foi-se embora, nem um obrigada me dirigiu, afinal, para que agradecer ao único obstáculo real que estava entre ela e as ceninhas?

Esperta...

12
Jul15

Pais divorciados

Maki

Há pais divorciados que são civilizados, apesar de já não se amarem continuam a falar um com o outro, a seguir o desenvolvimento dos filhos e a sua vidinha. Depois existem os pais que não o são. Os meus fazem parte do segundo grupo, estão divorciados há coisa se 7 anos mas deixaram de viver na mesma casa há 3, a história por trás disso é meio complicada, mas crescer com eles na mesma casa foi estúpido. As discussões eram ainda mais constantes do que quando estavam juntos (ou pelo menos tenho essa impressão).

Lembro-me que que ao inicio fiquei feliz por nenhum deles sair de repente da minha vida, de chorar desalmadamente no carro quando me disseram que se tinham divorciado naquele dia. Sim, porque só avisaram a criança que existia divórcio quando este já estava assinado e garanto-vos, é a pior coisa que se pode fazer, eu tinha o direito de saber. Quando fui para o décimo ano começou a ser insuportável viver com ambos, a minha mãe começou a andar com um homenzinho e a chegar tarde, o meu pai no fundo ainda gostava dela pelo que se sentia extremamente magoado e fazia coisas estúpidas como trancar a porta e desligar a campainha quando ela demorava demasiado tempo. Foi das alturas mais negras para mim, o meu quarto estava virado para a rua então a minha mãe jogava-me pedras contra a janela para me acordar e entrar em casa e lá ia eu com os meus quinze anos descer as escadas enquanto ouvia o meu pai a chorar (ou a roncar nunca percebi muito bem, mas com base nos roncos habituais do meu pai, aquilo era som de choro) abrir a porta à minha mãe. Uma vez quando cheguei lá abaixo estava um carro da polícia estacionado com o pai de um amigo meu ao volante, nunca percebi se eles estavam de passagem e acharam estranho uma mulher estar a atirar pedras a uma janela às quatro da manhã ou se a minha mãe os chamou, mas lembro-me que tive teste de biologia e geologia no dia seguinte.

Por favor, quando se divorciarem pensem nos vossos filhos, eles não pediram para nascer.

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